UE investiga Microsoft por não dar a usuários opções de navegador
A Comissão Europeia abriu nesta terça-feira uma investigação
antitruste contra a Microsoft por acusações de que a empresa não está
dando aos consumidores a opção de escolher qual navegador poderão usar.
Os reguladores abriram a investigação para verificar se a Microsoft está
cumprindo uma decisão de 2009 de oferecer aos usuários a opção de
escolher o navegador de internet
Em 2009, a Microsoft aceitou fornecer aos usuários do Windows na
Europa uma "tela de escolha", permitindo que eles optassem por outro
navegador além do programa padrão da Microsoft, o Internet Explorer. Mas
a tela de escolha parece ter desaparecido quando a Microsoft lançou o
Windows 7 Service Pack 1, em fevereiro de 2011, privando cerca de 28
milhões de pessoas da opção de escolher o seu navegador preferido, disse
Almunia.
A Microsoft atribuiu a um erro técnico a falta de opções de
navegadores para os usuários do Windows 7, que podem utilizar apenas o
Internet Explorer. "Demos passos imediatos para resolver este problema.
Lamentamos profundamente que este erro tenha acontecido e pedimos
desculpas por isso", declarou a Microsoft em comunicado divulgado em
Bruxelas nesta terça-feira.
Entre as medidas adotadas pela Microsoft, o primeiro passo foi
desenvolver e testar uma solução de software que começou a ser
distribuída imediatamente e colocada à disposição dos computadores
afetados para que pudessem acessar a tela de escolha, uma operação que
esperam fechar nesta semana.
Também vem sendo realizada uma investigação na qual foram
entrevistados trabalhadores da empresa para tentar esclarecer como
aconteceu o suposto erro, cujos resultados serão enviados à Comissão
Europeia.
Por último, a Microsoft ofereceu à Comissão Europeia estender em 15
meses o período pelo qual se comprometeram a proporcionar as
possibilidades de escolha de navegador, que em princípio devem durar
cinco anos.
"Acreditamos que a Comissão revisará este assunto e determinará se é
apropriado darmos este passo. Entendemos que a Comissão pode decidir
impor outras sanções", declarou a empresa, que destacou que o software
para a escolha de navegador foi distribuído corretamente em 90% dos
computadores desde que o pacto com a CE foi assinado.
"Agora estamos abrindo procedimentos formais. Se as infrações foram
confirmadas, haverá sanções", informou o comissário europeu de
Concorrência, Joaquin Almunia, em uma coletiva de imprensa. "Levamos
muito a sério o cumprimento das nossas decisões. Eu acreditei que os
relatórios da companhia eram corretos, mas parece que esse não era o
caso. Então, entramos em ação imediatamente", disse.
O comissário afirmou que este é o primeiro caso da Comissão Europeia
em que uma companhia é suspeita de não obedecer às decisões antitruste.